2. Texto para reflexão

SEPARAÇÃO AFETIVA – UMA VISÃO BUDISTA

Separar-se dói, mas também pode ser uma benção. É possível separar-se de alguém com respeito e com ternura.
É possível um divórcio verdadeiramente amigável. Mas para isso é preciso que as duas pessoas envolvidas no processo de desfazer um laço de intimidade tenham amadurecido o suficiente para conhecer a si mesmas. Caminhamos lado a lado com algumas pessoas em alguns momentos da vida. Minha professora de hatha ioga, Walkiria Leitão, comentou em uma de nossas aulas:
“A vida é como atravessar uma ponte. Nem sempre as pessoas com quem iniciamos a travessia são as mesmas que nos cercam agora ou com quem chegaremos do outro lado. Mas sempre há alguém por perto. Nunca estamos sós.”
O medo da solidão, muitas vezes, faz com que as pessoas suportem o insuportável. Ou se lamentem após uma separação, apegadas até mesmo ao conflito conhecido. Ainda há mulheres que sofrem violências morais e até mesmo físicas de seus companheiros ou companheiras. Ainda há homens que sofrem violências morais e até mesmo físicas de suas companheiras ou companheiros. Como dar limites? Como conhecer esses limites? Quando os limites são desrespeitados, as dificuldades começam. Dificuldades que podem levar à separação e ao divórcio. Dificuldades que podem levar ao sofrimento filhos e filhas, animais de estimação, amigos, familiares.
Caminhamos lado a lado. Ou não. Quando nos afastamos e nos distanciamos, nunca é repentino. Um processo que, se desenvolvermos a clara percepção da realidade do assim como é, poderemos prever, antecipar e até mesmo alterar o desenvolvimento do processo. Entretanto, se não conseguirmos antever o que já acontece, se colocarmos lentes fantasiosas sobre a realidade, poderemos nos desiludir e nos sentirmos traídos na confiança mais íntima do ser.
Professor Hermógenes, um dos pioneiros do yoga no Brasil, fala sobre a criação de uma nova religião chamada “desilusionismo”:
“Cada vez que temos uma desilusão estamos mais perto da verdade, por isso agradecemos.”
Se você teve uma desilusão é porque não estava em plena atenção. Mas não fique com raiva nem de você nem da outra pessoa. Nada é fixo. Nada é permanente. Saber abrir mão, desapegar-se – até da maneira como tem vivido – é abrir novas possibilidades para todos. Por que sofrer? Por que manter relações estagnadas ou de conflito permanente? Ou como transformar essas relações e dar vida nova ao relacionamento? Apreciar e compreender a vida em cada instante é uma arte a ser praticada.
Separar-se dói, confunde, mexe com sonhos e estruturas básicas de relacionamentos. Separação pode ser também uma bênção, uma libertação de uma fantasia, de uma ilusão. Observe em profundidade. Será que ainda é possível restaurar o vaso antigo? No Japão, as peças restauradas são mais valiosas do que as novas. Tem história, emoção, sentimento.
Cuidado com o eu menor. Cuidado com sentimentos de rancor, raiva, vingança. Esses sentimentos destroem você, mais do que as outras pessoas. Desenvolva a mente de sabedoria e de compaixão. Queira o bem de todos os seres. Isso inclui você. Cuide-se bem e aprecie a sua vida – assim como é –, renovando-se a cada instante e abrindo portais para o desconhecido, o novo – que pode ser antigo, mas novo a cada instante. Mantenha viva a chama do amor incondicional e saiba se separar (se assim for) com a mesma ternura e respeito com que se uniu. Esse o princípio de uma cultura de paz e de não violência ativa.
Que assim seja, para o bem de todos os seres.
Monja Coen

5 comentários:

Old Mag disse...

Muito bem colocadas estas citações sobre religião, Bia. Você buscou um ponto sobre o qual recaem muitas distorções por parte de quem busca apoio na religião. Magaly, sua amiga, recentemente chegada ao lar de Teresa, aplaude os primeiros vôos do LUZ INTEROR como blog.
Parabéns!

Acervo Virtual Espírita Chat disse...

Adoro sempre que possivel passar por aqui Bia, continue firme... Sempre levando o melhor a todos nós.
Esteja certa que me foi um presente divino poder te conhecer e contar com sua amizade neste ano, que ela perdure para sempre!
Beijos!

Juliete disse...

muito interessante esse texto, pois além de mostrar a importãncia das mães, e a falta que fazem em nossas vidas, nos dá o exemplo do amor maior e infinito que é o amor de mãe e como perdoar as ofensas, e dar provas de humildade e presença sempre, e isso só as mães conseguem, mesmo dependendo do filho que ela tenha...
um abraço fraterno
juliete

Gracinha Nunes Gosling disse...

Bia, achei ótima sua ideia! Assim teremos sempre suas mensagens de otimismo e compreensão da vida! Nada melhor que o conhecimento para entendermos tudo que nos cerca! Como seres a semelhanca de Deus, temos a missão de ajudar aos que querem melhorar, e você faz isto muito bem! Bjs e muita luz no seu blog.

Tronco do Ipê de Fogo disse...

Diz a lenda que a dor é inevitável mas o sofrimento opcional. Mas as ligações que temos, a família e a nossa espiritualidade, somam-se os nos leva a reagir em quaisquer casos de perda. Enfim obrigado pelo texto.