3. Saudade sem lágrimas

CARTA ÀS MÃES QUE PERDERAM SEUS FILHOS

Mãezinha querida... Seu coração está em pedaços...
Não há dor maior do que a perda de um filho...
Aprendemos a amá-los de uma forma tão grandiosa, tão completa, que não conseguimos mais enxergar o mundo sem a sua presença ao nosso lado.
Descobrimos um tipo de amor que nos faz crescer e nos faz amar a vida como nunca antes havíamos amado.
E subitamente são levados... Aos poucos meses, nos primeiros anos... Ou um pouco mais tarde. Levados de nosso regaço através da morte tão cruel.
Mãezinha querida... Seu coração pede consolo, pede uma razão para continuar vivendo...
E esta razão estará sempre em seu amor por eles.
Primeiramente pelo amor aos que ficaram e respiram também o ar de seu amar: filhinhos, esposo, pais, amigos queridos.
Mas também pelo amor aos que partiram porque, mãezinha querida, eles continuam a existir e a amá-la como antes o faziam.
A morte não mata o Espírito e também não mata o amor.
"Um pai, uma mãe, nunca deveriam enterrar seus filhos" - diz o pensamento popular, fazendo menção à ordem natural da vida para os que deveriam partir antes.
Porém, a verdade é que você não enterrou seu filhinho, mãe: o que ali foi deixado sob a terra era apenas sua vestimenta corporal para esta breve encarnação.
Seu filho, sua filha continuam existindo. E todo amor que construíram no aconchego de seu lar não foi perdido: será a semente de um novo amanhã, quando voltarão a se encontrar.
Os planos maiores do Universo - ainda desconhecidos por nós - definiram que precisavam ir mais cedo, por razões especiais.
Voltaram para a verdadeira vida, o mundo espiritual, onde estão recebendo todo auxílio necessário para que sejam bem recepcionados em sua nova realidade.
Deus está com seus filhos nos braços, mãezinha. Segura-os através de seus tantos trabalhadores do bem, que estão encarregados de receber as almas após a desencarnação.
Você não perdeu seus filhos, embora a realidade pareça mostrar isso diariamente, pelo buraco que suas ausências na Terra deixaram.
Não... Você não perdeu seus filhos. A desencarnação é apenas o final de uma etapa e começo de outra.
Não perdemos as pessoas, assim como não se perde o amor semeado no coração.
Quando a saudade apertar e o ar parecer faltar, lembre, mãezinha, dos momentos felizes com eles, lembre de abraçá-los com carinho em suas orações aos céus.
Eles receberão seu abraço e ficarão felizes por saber que em sua alma não há revolta, não há ódio ou rancor, há apenas a natural e saudável saudade.
Através da oração você poderá manter um contato constante com eles, pois a prece une os "dois mundos".
Diga que os ama muito, que sente falta, é certo, e que é este amor que lhe sustenta os dias na Terra, esperando o sonhado momento do reencontro.Mãezinha querida... Você não está sozinha neste momento difícil: Deus está com você. Conte com Ele.

Redação do Momento Espírita

6 comentários:

Old Mag disse...

Bia
Bela mensagem, uma verdadeira oração. Além de elucidativa, deixa margem a uma boa rellexão.
Beijinho,
Magaly

Walter disse...

Bia,
Você está de parabéns, pela remodelação e atualização da sua página, agora em formato de Blog, leve, fácil e simples (assim como você).Gostei, em especial, deste novo item "Saudades sem Lágrimas" e a a história que deixo, um pouco extensa, mas tem tudo a ver com o momento de reflexão de e para todos nós quando os nossos amados retornam à Verdadeira Vida, que é, na verdade, o recomeço:
Com carinho.
Walter

A história de uma folha...
A primavera passou. E o verão também.
Era uma vez uma folha, que crescera muito.
A parte intermediária era larga e forte, as cinco pontas eram firmes e afiladas.
Surgiu na primavera, como um pequeno broto num galho grande, perto do topo de uma árvore alta.
A folha estava cercada por centenas de outras folhas, iguais a ela. Ou pelo menos assim parecia. Mas não demorou muito para que descobrisse que não havia duas folhas iguais, apesar de estarem na mesma árvore.
Alfredo era a folha mais próxima. Mário era a folha à sua direita.
Clara era a linda folha por cima. Todos haviam crescido juntos.
Aprenderam a dançar à brisa da primavera, a se esquentar indolentemente ao Sol do verão, a se lavar na chuva fresca.
Mas Daniel era seu melhor amigo. Era a folha maior no galho e parecia que lá estava antes de qualquer outra. A folha achava que Daniel era o mais sábio. Foi Daniel quem lhe contou que eram parte de uma árvore. Foi Daniel quem explicou que estavam crescendo num parque público. Foi Daniel quem revelou que a árvore tinha raízes fortes, escondidas na terra lá embaixo. Foi Daniel quem falou dos passarinhos que vinham pousar no galho e cantar pela manhã.
Foi Daniel quem contou sobre o Sol, a Lua, as Estrelas e as estações.
Fred (Alfredo) adorava ser uma folha. Amava o seu galho, os amigos, o seu lugar bem alto no céu, o vento que o sacudia, os raios de Sol que o esquentavam, a Lua que cobria de sombras suaves.
O verão fora excepcionalmente ameno. Os dias quentes e compridos eram agradáveis, as noites suaves eram serenas e povoadas por sonhos. Muitas pessoas foram ao parque naquele verão. E sentavam sob as árvores. Daniel contou à folha que proporcionar sombra era um dos propósitos das árvores.
- O que é um propósito? - Perguntou a folha.
- Uma razão para existir - Respondeu Daniel.
Tornar as coisas mais agradáveis para os outros é uma razão para existir. Proporcionar sombra aos velhinhos que procuram escapar do calor de suas casas é uma razão para existir.
Oferecer um lugar fresco onde as crianças possam brincar. Abanar com as nossas folhas as pessoas que vem fazer piqueniques, com suas toalhas quadriculadas. Tudo isso são razões para existir.
A folha tinha um encanto todo especial pelos velhinhos.
Sentavam em silêncio na relva fresca, mal se mexiam.
E quando conversavam era aos sussurros, sobre os tempos passados.
As crianças também eram divertidas, embora às vezes abrissem buracos na casca da árvore ou nelas esculpissem seus nomes. Mesmo assim era divertido observar as crianças.
Mas o verão da folha não demorou a passar...
E chegou ao fim numa noite de outubro.
A folha nunca sentira tanto frio. Todas as outras folhas estremeceram com o frio. Ficaram todas cobertas por uma camada fina de branco, que num instante se derreteu e deixou-as encharcadas de orvalho, faiscando ao Sol. Mais uma vez foi Daniel quem explicou que haviam experimentado a primeira geada, o sinal de que era outubro e que o outono viria em breve.

Quase que imediatamente, toda a árvore, mais do que isso, todo o parque, se transformou num esplendor de cores. Quase não restava qualquer folha verde. Alfredo se tornou de um amarelo intenso. Mário adquiriu um laranja brilhante. Clara virou de um vermelho ardente. Daniel estava púrpura. E a folha ficou vermelha, dourada e azul.
Todos estavam lindos.
A folha e seus amigos converteram a árvore num arco-íris.
- Por que ficamos com cores diferentes, se estamos na mesma árvore? ... Perguntou a folha.
- Cada um de nós é diferente. Tivemos experiências diferentes. Recebemos o Sol de maneira diferente. Projetamos a sombra de maneira diferente. Por que então não teríamos cores diferentes? Foi Daniel, como sempre, quem falou. E Daniel contou ainda que aquela estação maravilhosa se chamava outono.

E um dia aconteceu uma coisa muito estranha. A mesma brisa que, no passado, os fazia dançar começou a empurrar e puxar suas hastes, quase como se estivesse zangada. Isso fez com que algumas folhas fossem
arrancadas de seus galhos e levadas pela brisa, reviradas pelo ar, antes de caírem suavemente ao solo.
Todas as folhas ficaram assustadas.
O que está acontecendo? ...perguntaram umas as outras, aos sussurros.
- É isso o que acontece no outono - explicou Daniel.
É o momento em que as folhas mudam de casa. Algumas pessoas chamam a isso de morrer.
- E todos nós vamos morrer? Perguntou a folha.
- Vamos, sim - respondeu Daniel - Tudo morre.
Grande ou pequeno, fraco ou forte, tudo morre. Primeiro, cumprimos a nossa missão.
Experimentamos o Sol e a Lua, o vento e a chuva.
Aprendemos a dançar e a rir. E depois morremos.
- Eu não vou morrer! - exclamou a folha, com determinação.
- Você vai, Daniel?
- Vou, sim... Quando chegar meu momento.
- E quando será isso?
- Ninguém sabe com certeza respondeu Daniel.
A folha notou que outras folhas continuavam a cair.
E pensou "Deve ser o momento delas." Ela viu que algumas reagiam ao vento, outras simplesmente se entregavam e caiam suavemente.
Não demorou muito para que a árvore estivesse quase despida.
- Tenho medo de morrer - disse a folha a Daniel - não sei o que tem lá embaixo.
- Todos temos medo do que não conhecemos. Isso é natural - disse Daniel para animá-la.
- Mas você não teve medo quando a primavera se transformou em verão.
E também não teve medo quando o verão se transformou em outono.
Eram mudanças naturais. Por que deveria estar com medo da estação da morte?
- A árvore também morre? Perguntou a folha.
- Algum dia vai morrer. Mas há uma coisa que é mais forte do que a árvore.
É a vida. Dura eternamente e somos todos uma parte da Vida.
Para onde vamos quando morremos?
- Ninguém sabe com certeza. É o grande mistério.
- Voltaremos na primavera?
- Talvez não. Mas a VIDA VOLTARÁ.
- Então qual é a razão para tudo isso? - insistiu a folha - Por que viemos para cá, se no fim teríamos de cair e morrer?
Daniel respondeu no seu jeito calmo de sempre:
- Pelo Sol e pela Lua. Pelos tempos felizes que passamos juntos.
Pela sombra, pelos velhinhos, pelas crianças. Pelas estações. NÃO É RAZÃO SUFICIENTE?
Ao final daquela tarde, na claridade dourada do crepúsculo, Daniel se foi. E caiu a flutuar.
Parecia sorrir enquanto caia - ADEUS POR ENQUANTO - disse ele à folha.
E, depois, a folha ficou sozinha, a única que restava em seu galho.
A primeira neve caiu na manhã seguinte. Era macia, branca e suave.
Mas era muito fria. Quase não houve Sol naquele dia... E foi um dia curto.
A folha se descobriu a perder a cor, a ficar cada vez mais frágil.
Havia sempre frio e a neve pesava sobre ela. E quando amanheceu veio o vento que arrancou a folha do seu galho. Não doeu. Ela sentiu que flutuava no ar, muito serena.
E, quando caía, ela viu a árvore inteira pela primeira vez. Como era forte e firme!
Teve certeza de que a árvore viveria por muito
tempo, compreendeu que fora parte de sua vida. E isso deixou-a orgulhosa.
A folha pousou num monte de neve. Estava macio, até mesmo aconchegante.
Naquela nova posição, a folha estava mais confortável do que jamais se sentira.
Ela fechou os olhos e adormeceu. Não sabia que a primavera se seguiria ao inverno, que a neve se derreteria e viraria água. Não sabia que a folha que fora, seca e aparentemente inútil, se juntaria com a água e serviria para tornar a árvore mais forte.
E, principalmente, não sabia que ali, na árvore e no solo, já havia planos para novas folhas na primavera.
O Começo...
(Leo Buscaglia)

Raio De Sol disse...

LINDO!EDUCATIVO!DE GRANDE VALOR A NOSSAS PEQUENAS VIDAS... VC ESTA DE PARABÉNS!SEMPRE!!!!
BOA SEMANA!
BEIJOS.

cristiane disse...

Querida Bia,

É muito bom podermos ler mensagens de esperança e fé quando nossos corações estão apertados de saudades dos nossos queridos que partiram...
Obrigada por essa opotunidade.
Um grande abraço,
Cristiane

Maria José disse...

Esta mensagem é linda para todos, principalmente, para nós mães que passamos pela triste experiência da perda de um filho. No meu caso, a minha Marcela, que se foi há 3 anos. Mas estou aí, com fé renovada, tentando viver um dia de cada vez, sempre acreditando que existe uma razão para tudo nesta vida. Parabéns pelo seu blog.

Sissym Mascarenhas disse...



Bia, se eu soubesse disso ficaria só um pouco triste pelas coisas que sonho ainda conquistar, mas do jeito que sou certamente continuaria capinando o meu jardim e fazendo poesias.

Muito lindo este texto.

Beijinhos